Engenharia Civil 2011

Ponte 4 de Abril
Engº Armando Rito e Engº Pedro Cabral
Catumbela

Mais informações

A Ponte 4 de Abril na Catumbela, localizada na Via Rápida Benguela – Lobito, na República de Angola, com projeto da autoria dos engenheiros Armando Rito e Pedro Cabral, foi distinguida com o Prémio Secil de Engenharia Civil 2011, atribuído pela Secil e pela Ordem dos Engenheiros.

A Ponte 4 de Abril, com projeto dos engenheiros Armando Rito e Pedro Cabral, envolveu 14.900m3 de betão, 591.000 kg de aço de pré-esforço e 1.700.000 kg de aço passivo e caracteriza-se quer pela inovação das técnicas usadas quer pelo planeamento e execução dos trabalhos em obra. As duas torres da Ponte 4 de Abril, em forma de “U”, destacam-se pela sua transparência devida à ausência de contraventamentos.

Esta obra de arte é um contributo para a reconstrução local que irá beneficiar a comunidade e promover a união entre as cidades contíguas de Benguela e Lobito.

Pela primeira vez na história dos Prémios Secil Engenharia Civil, este galardão é atribuído a uma dupla de engenheiros. O galardoado engenheiro Armando Rito afirma que “este é, efetivamente, um marco importante na história dos Prémios Secil Engenharia Civil porque, pela primeira vez, é atribuído a uma obra no continente africano, exemplo da internacionalização da nossa Engenharia e com particular significado afetivo por a mesma se localizar num País da CPLP.” E acrescenta que “fico muito orgulhoso por este prémio ter sido atribuído a uma obra minha e do engenheiro Pedro Cabral que muito contribuiu para a realização desta obra de inegável valor para o desenvolvimento da Província de Benguela.

Armando Marques Rito

Licenciou-se em Engenharia Civil no IST/UTL. É membro de diversas Instituições Nacionais e do IABSE.

Foi Vogal Agregado do CSOPT, Professor Coordenador da cadeira de pontes no ISEL e, ainda, na UCP.

Foi Perito Nacional no CEN – Task-Group EC2, Part2 “Concrete Bridges” – 1ª versão, Membro do Task-Group 1.2: “Bridges” da fib e do Bridge Commitee da AIPCR.

Conferencista convidado em congressos internacionais e nacionais. Tem cerca de 70 artigos sobre pontes e, também, obras publicadas em revistas nacionais e internacionais.

Foram-lhe atribuídas as medalhas da AFPC – Association Française Pour la Construction (1997), da fip (1998), da ASCP (2009) e do GPBE (2010).

Foi atribuído o Prémio de Engenharia à sua Ponte Miguel Torga, na Régua (1998) e à Ponte Vasco da Gama, da qual foi um dos projetistas (2000), nas “Iª e IIª Bienais Ibero-Americanas de Engenharia e Arquitetura”.

Tem cerca de 500 Obras de Arte construídas, várias delas de grande porte como, por exemplo, as pontes de tirantes do Arade em Portimão e da Catumbela em Angola, as pontes do Sado em Alcácer-do-Sal e do Arade na A2, as pontes Miguel Torga sobre o Douro e sobre o Corgo na Régua e o viaduto de Vila Pouca de Aguiar na A24, as pontes sobre o Tâmega na A4 e sobre o Sabor no IP4, o viaduto de Loures na A8, os viadutos do Labriosque, do Coura e de Laceiras na A3, as pontes e viadutos de acesso do Mondego, Pranto e Lis na A17, as pontes do Cacheu na Guiné e do Kwanza na Cabala em Angola, as pontes do Douro, do Sousa, do Uíma e do Covelo na A41 – Douro Litoral e a ponte do Tua no Douro Interior.

Pedro Castro Caldas Cabral

Pedro Castro Caldas Cabral nasceu em Lisboa em Agosto de 1973, tendo-se licenciado em Engenharia Civil pelo IST, em Outubro de 1996. Ainda em Abril de 1996 iniciou a sua carreira profissional no gabinete do Engenheiro Armando Rito. Em Março de 2007, torna-se sócio e administrador da Empresa Armando Rito Engenharia, S.A.

Ao longo da sua carreira já participou em diversos projetos de pontes com múltiplas tipologias estruturais e de construção. Destes citam-se, como exemplos: em Portugal, a ponte do Corgo, o viaduto de Vila Pouca de Aguiar, a ponte do Douro e a ponte do Tua; em Angola, a ponte da Catumbela e a ponte do Kwanza na Cabala; na Guiné-Bissau, a ponte de São Vicente. O seu trabalho tem incidido na coordenação geral dos projetos e na assistência técnica a obras construídas por empresas nacionais e internacionais.

Entre 2004 e 2007, foi assistente convidado da cadeira de Pontes e Estruturas Especiais na Faculdade de Engenharia da UCP. Desde 2008 que orienta recém-licenciados nos seus estágios de admissão à Ordem dos Engenheiros e colabora com a Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto, em Luanda, na orientação dos trabalhos de fim de curso de alunos finalistas.

É membro Sénior da Ordem dos Engenheiros e pertence a várias associações profissionais. Frequentou vários cursos de pós-graduação no domínio das pontes e participou como conferencista em diversos congressos e seminários sobre estruturas em Portugal e no estrangeiro. Já publicou e apresentou mais de 30 artigos sobre o projeto e a construção de pontes.

Introdução

A Via-Rápida entre Benguela e Lobito cruza o rio Catumbela a cerca de 7 km da sua foz e, também, a Cidade da Catumbela. Para o atravessamento do rio e das zonas marginais na localização definida no projeto da Via-Rápida, já em construção aquando do início do projeto da ponte, existiam significativas dificuldades de inserção do traçado no local.

Essas dificuldades foram devidas às condicionantes topográficas, à implantação das construções e vias existentes que obrigavam à utilização de apertados raios de curvatura, a uma muito limitada extensão para o desenvolvimento da travessia e à necessidade de utilizar uma rasante muito baixa para evitar aterros significativos, mas que permitisse, no entanto, manter sob a obra os restabelecimentos locais. Além disso, as fortes cheias habituais do rio e o muito curto prazo exigido para a construção da ponte recomendavam que se evitassem fundações no leito menor.

A obra iria ficar inserida numa zona urbana estando prevista, em especial na margem direita do rio, a construção de empreendimentos habitacionais de certo vulto tendo, para isso, sido já regularizadas e aterradas as margens do rio de maneira a garantir que as cheias não inundariam as zonas marginais da cidade e construída uma avenida ao longo da margem Norte.

A solução a adotar devia pois resolver, de uma forma flexível e económica, os múltiplos condicionamentos locais.

Após os estudos de várias alternativas, foi adotada para a nova ponte sobre o rio Catumbela uma obra em que a ponte é de tabuleiro atirantado com um vão central de 160 m sobre o leito menor garantindo, assim, a rasante mais baixa, a ausência de pilares no rio e a menor extensão de obra e assegurando, ainda, a manutenção das ligações locais entre os dois lados da Via Rápida e desta às duas margens do rio. Conseguiu-se, ainda, reduzir de forma sensível nos custos e prazos de construção da obra a incidência dos problemas derivados das dificuldades de execução das fundações.

Em zonas urbanas, onde os condicionamentos locais aconselham a utilização de grandes vãos ou obras emblemáticas, as pontes de tirantes são, em geral, a escolha mais acertada.

Esteticamente é uma solução muito conseguida devido à clara visibilidade e instintiva compreensão do seu sistema estrutural e do equilíbrio das forças em jogo. A esbeltez do tabuleiro e das torres e a tenuidade da teia criada pelo sistema de atirantamento conferem a estas estruturas, quando bem concebidas, uma leveza inultrapassável.

A ponte da Catumbela tem um tabuleiro contínuo de betão com 450 m de comprimento. A parte atirantada é inteiramente suspensa, sem quaisquer pontos de apoio além dos que se encontram nos pilares de transição onde os viadutos de acesso dão continuidade estrutural à ponte.

O tabuleiro, muito esbelto, com apenas 1,60 m de altura, é visualmente idêntico nas zonas em ponte e em viaduto. Desenvolve-se numa suave curva vertical suspenso de torres de altura moderada através de tirantes brancos.

A utilização de torres altas, embora permitam alguma redução na quantidade de aço dos tirantes, conferem às pontes uma atitude “hirta” e, por isso, cremos que o ligeiro acréscimo de custo em aço para os tirantes utilizando torres de altura moderada é bem justificado. A obra fica mais equilibrada, mais leve e mais bonita.

Todas as formas foram sujeitas a um tratamento estético detalhado. As torres foram modeladas e pormenorizadas com a intenção de valorizar esteticamente a obra e, simultaneamente, de lhes conferir um aspeto resistente. A utilização de selas permitiu um eficiente tratamento das linhas de ancoragem e das próprias torres.

O dono da obra é o Instituto de Estradas de Angola (INEA), do Ministério das Obras Públicas da República de Angola (MinOP), a sua construção esteve a cargo do Consórcio Mota-Engil / Soares da Costa e o cimento utilizado é proveniente da Fábrica Secil-Lobito, situada nas imediações da obra.

Localização: Via-Rápida Benguela / Lobito, Província de Benguela, República de Angola

Dono da Obra: MINOP – Ministério das Obras Públicas da República de Angola e INEA – Instituto de Estradas de Angola

Projecto: Armando Rito Engenharia, S.A.: Armando António Marques Rito, Pedro Castro Caldas Cabral

Construtoras: Consórcio Mota-Engil / Soares da Costa

Principais quantidades de materiais:

Betão:

Fundações: 2 800 m3

Torres e Pilares: 3 150 m3

Tabuleiro: 8 950 m3

Aço de pré-esforço:

Barra: 148 500 kg

Cordão: 250 000 kg

Tirantes: 192 500 kg

Aço passivo: 1 700 000 kg

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