Engenharia Civil 1995

Nova Ponte Macau-Taipa
Engº José Câncio Martins
Macau

Mais informações

Em 1995, a Secil lançava a primeira edição do Prémio Secil de Engenharia Civil, tendo sido a primeira entidade a patrocinar um prémio de Engenharia Civil em Portugal.

Tal como o Prémio Secil de Arquitetura, este prémio contou com o Alto Patrocínio do Presidente da República, acentuando o prestígio que quer na primeira, quer nas edições seguintes o prémio soube merecer, levando a concurso obras de elevada qualidade.

Foi ainda uma iniciativa acolhida com grande entusiasmo no seu meio, o que levaria o Bastonário da Ordem do Engenheiros a afirmar que “… a instituição do Prémio Secil de Engenharia Civil, visando distinguir soluções no domínio da utilização do betão estrutural, da integral autoria de engenheiros civis portugueses, é acontecimento de maior relevo para a profissão.”

O autor distinguido neste ano foi o Eng.º Câncio Martins, pelo seu projeto para a Nova Ponte Macau-Taipa. Este projeto surgiu da necessidade de criar uma ligação mais rápida entre Macau e Taipa, que a antiga ponte Nobre de Carvalho já não assegurava, pelo excesso de trânsito.

A nova ponte passou, no entanto, na opinião de Rosado Catarino pelo”…exame mais difícil: o confronto com a Ponte Nobre de Carvalho, ex-libris de Macau. No entanto, e segundo o mesmo “Influenciadas pelo clima deste território, as pontes souberam entender-se. São duas gerações de engenharia portuguesa. (…) Ficam para a história…são obras de arte.”

José Luís Faria Câncio Martins nasceu a 13 de Março de 1936, em Sintra. Licenciou-se em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico, concluindo o curso em 1959 com a classificação final de 15 valores.

Iniciou a sua atividade profissional em Junho de 1960 na Delegação da Direção do Serviço de Infraestruturas da Força Aérea na 2ª Região Aérea (Angola) na qualidade de Oficial Miliciano Engenheiro da Aeródromos, serviço onde se manteve até Outubro de 1963.

Após uma passagem pelo exercício da profissão liberal, ingressa em 1965 na Direção-geral da Aeronáutica Civil. Permanece neste Departamento até 1972 altura em que solicitou a sua exoneração para ingressar no Gabinete da Área de Sines. Ocupava então o lugar de Chefe de repartição de Construção da Direção do Serviço de Obras da D.G.A.C.

No Gabinete da Área de Sines desempenhou as funções de Chefe da Divisão de Projetos da Direção do Serviço do Centro Urbano e mais tarde, até Maio de 1981, o de Diretor do Serviço de Projetos, altura em que lhe foi concedida a passagem à situação de licença ilimitada.

É presentemente Professor convidado do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Como projetista executou já algumas dezenas de projetos de pontes e viadutos para a Junta Autónoma de Estradas, Brisa – Autoestradas de Portugal, S.A., Caminhos de Ferro Portugueses e Gabinete da Área de Sines, além de outros projetos de estruturas para fins industriais, comerciais e de habitação.

Do seu curriculum, constam ainda numerosos projetos:

  • Edifícios e estruturas industriais
    • Fecho da bancada do Estádio do Sporting Clube de Portugal – 1981
    • Centro Cultural de Belém – Estudo Prévio da proposta do Arqº. Gonçalo Byrne(2º lugar) – 1989
    • Centro de Congresso do Estoril – Anteprojecto da proposta do Consórcio A.Silva & Silva, Somague, Efacec, Philips – 1989
    • Faculdade de Engenharia Eletrotécnica e Informática da Universidade de Coimbra
    • Edifício IMOCIPAR, Imobiliária, S.A.
  • Pontes e viadutos
    • Viaduto de Lusianes na E.N 123 – 1968
    • Ponte ferroviária sobre o rio Douro (Projeto variante preparado para o concurso que se efetuou em 1977)
    • Remodelação viária da zona das Amoreiras – Passagens Superiores – 1984
    • Ponte Internacional sobre o rio Guadiana – 1985
    • Ponte atirantada com vão central de 324 metros
    • Ponte de Viana do Castelo (Projeto variante) – 1988
    • Tabuleiro contínuo com o comprimento de 2 180m, constituindo possivelmente a maior peça monolítica de betão do mundo. · Ponte de acesso à tomada de água na Barragem da Apartadura (Projeto Variante) – 1ª Ponte construída em Portugal pelo processo de “empurre” – 1989
    • Ponte entre Macau e a Ilha da Taipa – 1989
    • Ponte sobre o rio Tejo em Santarém e acessos imediatos – 1994

É membro das seguintes Associações/Organizações:

  • Ordem dos Engenheiros
  • American Concrete Institute
  • Grupo Português de Pré-Esforçado
  • Associação Portuguesa de Análise Experimental de Tensões (Membro fundador)
  • Membro da Comissão de Pontes da Fédération Internationale de la Précontrainte (FIP)

No projeto de qualquer ponte, mas em especial no projeto da Nova Ponte Macau-Taipa, pelas suas dimensões e localização, há três objetivos fundamentais que o projetista tem que atender e que são a Eficiência, a Economia e a Elegância. A eficiência prende-se com a segurança que a ponte deverá apresentar para suportar as ações previstas e com a aptidão para a função, constituindo essencialmente um problema de engenharia.

A procura da solução mais económica é outro aspeto bastante importante e que deverá ser vista no âmbito mais geral da vida da ponte englobando, portanto, não só o custo de construção mas os custos de manutenção.

Embora a Eficiência e Economia da solução sejam aspetos extremamente importantes eles não devem no entanto ser decisivos na opção. Efetivamente aquilo que concebemos e construímos deve refletir não só as nossas aptidões mas também ter em conta a comunidade e o ambiente. É preciso não esquecer que a ponte irá durar algumas décadas e por esta razão o projetista tem a responsabilidade e o dever de produzir uma ponte visualmente agradável para a generalidade das pessoas, e a um custo razoável.

Num concurso de conceção/construção o fator económico tem sempre – quer se queira, quer não – um peso muito forte na decisão, embora no caso da Ponte Macau-Taipa o Gabinete da Ponte se tenha preocupado e valorizado os aspetos estéticos, o que por não ser habitual, é de louvar.

Sem minimizar as preocupações em dar satisfação aos aspetos de Eficiência e Estéticos, não podemos negar que ao aspeto Económico foi dispensada uma atenção muito especial. A falta de áreas disponíveis para a instalação de estaleiros com as dimensões que uma obra desta envergadura exigiria, conjugada com as vantagens que advinham da utilização de estaleiros de pré-fabricação existentes na China com capacidade excedentária, bem localizadas e com custos de produção e transporte bastante competitivos, levaram-nos a optar deliberadamente por uma solução estrutural que permitisse recorrer o mais possível à pré-fabricação.

Esta opção revelou-se correta, possibilitando a concretização do empreendimento a um custo dificilmente igualável com condições semelhantes.

Localização: Macau

Projeto: J.L. Câncio Martins

Estrutura: J.L. Câncio Martins – Projectos de Estruturas, Lda.

Cliente: Governo de Macau

Construtor: Construções Técnicas, S.A.; Teixeira Duarte, S.A.

Como podemos ajudá-lo?

Contacte-nos através de um dos nossos telefones, ou submeta um formulário.