Edifício Castro & Melo
Arquiteto Álvaro Siza Vieira
Lisboa

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A terceira edição do Prémio Secil de Arquitetura distinguiu Álvaro Siza Vieira pela recuperação do Edifício Castro e Melo, na Rua Nova do Almada, na zona sinistrada do Chiado, em Lisboa.

Vítor Mestre, representante do júri desse ano pela Associação de Arquitetos Portugueses, sintetizou na altura grande parte do valor desta obra: “…revela uma apreciação com sentido pedagógico (…), incidindo de forma criteriosa sobre modos de intervir na cidade e particularmente numa zona histórica de grande significado social, contrariando a ideia de que património é fachada, sendo os interiores indiferentes a um todo, ficando estes “a gosto de cada um“.

O facto da obra premiada estar integrada no projeto alargado da reabilitação do Chiado, do mesmo autor, conferiu pela primeira vez ao prémio a dimensão urbana da arquitetura.

Álvaro Joaquim de Melo Siza Vieira nasceu em Matosinhos em 1933. Estudou Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto entre 1949 e 1955, sendo a sua primeira obra construída em 1954. Foi colaborador do Prof. Fernando Távora entre 1955 e 1958. Ensinou na ESBAP entre 1966 e 1969; reingressou em 1976 como Professor Assistente de “Construção”. Foi Professor Visitante na Escola Politécnica de Lausanne, na Universidade de Pensilvânia, na Escola de Los Andes em Bogotá, na Graduate School of Design of Harvard University como “Kenzo Tange Visiting Professor”; continua a lecionar na Faculdade de Arquitetura do Porto.

Tem participado em Seminários e Conferências de Portugal ao Japão e dos EUA à Argentina. As suas obras foram apresentadas um pouco por todo o mundo em exposições, algumas delas extremamente relevantes como a do Centre Georges Pompidou (Paris 1990) ou o CGAC (Santiago de Compostela 1995). A Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos de Arte atribuiu-lhe o Prémio de Arquitetura do Ano (1982). Recebeu um Prémio de Arquitetura da Associação de Arquitetos Portugueses (1987). Em 1988 recebeu a Medalha de Ouro de Arquitetura do Conselho Superior do Colegio de Arquitectos de Madrid, a Medalha de Ouro da Fundação Alvar Aalto, o prémio Prince of Wales da Harvard University e o Prémio Europeu de Arquitetura da Comissão das Comunidades Europeias/Fundação Mies van der Rohe.

Em 1992 foi-lhe atribuído o Prémio Pritzker da Fundação Hyatt de Chicago pelo conjunto da sua obra. Em 1993, recebeu o Prémio Nacional de Arquitetura atribuído pela Associação dos Arquitetos Portugueses. Em 1994, o Prémio Dr. H.P. Berlagestichting e o Premio Gubbio/Associazione Nazionale Centri Storico-Artistici. Em 1995, a Medalha de Ouro atribuída pela Nara World Architecture Exposition e o Prémio Internacional Architetture di Pietra atribuído pela Fiera di Verona.

É membro da American Academy of Arts and Science e “Honorary Fellow” do Royal Institute of British Architects. Foi doutorado “Honoris Causa” por: Universidade de Valencia, Escola Politécnica Federal de Lausanne, Universidade de Palermo e pela Universidade Menendez Pelayo. A sua obra como arquiteto é vastíssima, e muitíssimo celebrada, tendo-se iniciado com três modestas moradias em Matosinhos, para agora estar construída em vários pontos da Europa e e englobar escolas universitárias, conjuntos habitacionais, igrejas, hotéis, recuperações e reconversões urbanas, museus, bibliotecas, fábricas, interiores, etc.

Ficha Técnica obra: Edifício Castro & Melo

Localização: Chiado – Lisboa

Data do projeto: 1988-1995

Data de construção: 1995

Projeto: Álvaro Siza Vieira

Coordenador: Jorge Carvalho

Estrutura: STA – Segadães Tavares Associados, Lda

Construtor: EDIFER

O edifício Castro & Melo, na zona sinistrada do Chiado, exemplifica em certo sentido a “pedra de fecho” da estratégia de recuperação e reconstrução da área destruída pelo incêndio, estabelecida em âmbito municipal por Siza Vieira, com apoio fundamental do Gabinete do Chiado na preparação, gestão e aplicação das regras e regulamentos para o efeito estabelecidos.

Trata-se efetivamente dum edifício absolutamente exemplar pela maneira como incorpora os conteúdos programáticos preconizados na revalorização da zona, introduzindo as componentes comércio, escritórios e residência e as regras desenhadas das fronteiras entre espaço público e privado desenvolvendo de modo magistral não apenas os aspetos de contenção por elas ditados mas de igual modo a margem de liberdade e abertura que essas regras permitem no interior privado, do invólucro público.

Gonçalo Sousa Byrne, Arquiteto, Presidente do Júri, in Prémio Secil de Arquitectura 1996, edição Secil

(…) O gesto paciente de Álvaro Siza não inventa. Descobre! É uma arquitetura que revela um lugar, onde a história está grávida de futuro!

Prof. Dr. Jacinto Rodrigues in Prémio Secil de Arquitetura 1996, edição Secil

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