Casa das Artes
Arquiteto Eduardo Souto de Moura
Porto

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A primeira atribuição do Prémio Secil de Arquitetura contemplou o Edifício da Casa das Artes, no Porto, da autoria do Arq. Eduardo Souto de Moura. É, curiosamente, o resultado de um dos seus primeiros projetos, onde o contraste de materiais e texturas é já uma das características mais importantes do edifício, e o betão entra como um deles.

Esta primeira edição ficaria ainda assinalada por uma extensa lista de obras a concurso, de grande qualidade, em que vários arquitetos – incluindo o próprio Arq. Souto de Moura – concorreram com mais do que uma obra.

A imediata aceitação deste Prémio, que contou desde o início com o Alto Patrocínio do Presidente da República, e o “…apoio empenhado e sustentado de um número muito grande de Entidades.”, constituiria razão suficiente para que a Secil assumisse “…o empenhamento necessário a assegurar a continuidade deste concurso de arquitetura…”, abrindo ainda caminho para a instituição do Concurso Universidades, cuja primeira edição teve lugar em 1998.

Nasceu no Porto, a 25 de Julho de 1952. Licenciou-se em Arquitetura pela ESBAP, em 1980.

Trabalhou com A. Siza de 1974 a 1980. Desde então, trabalha em profissão liberal com escritório próprio.

Foi professor convidado em Lausanne, Paris-Belleville, Harvard, Dublin e ETH-Zurich.

Deu conferências em Portugal, Espanha, Reino Unido, França, Itália, Suíça, Jugoslávia, Estados Unidos, Holanda, Irlanda, Canadá e Noruega. Realizou Exposições em Porto, Lisboa, Braga, Paris, Clermont-Ferrand, Bordéus, Londres, Cambridge, Milão, Roma, Pirano, Nova Iorque, Harvard e Zurique.

Do seu curriculum constavam, à data, os seguintes prémios:

– Prémio Fundação António de Almeida

– Prémio Fundação Antero de Quental

– 1º Prémio no concurso para a reestruturação da Praça Giraldo em Évora

– 1º Prémio no concurso para o Centro Cultural da SEC no Porto

– 1º Prémio no concurso para os pavilhões CIAC

– 1º Prémio no concurso para um hotel em Salzburg

Ficha Técnica obra: Centro Cultural – Casa das Artes

Localização: Porto

Conc. púb. arquitetura: 1º Classificado, 1981

Data do projeto: 1984-1985

Data de construção: 1988-1991

Projeto: Eduardo Souto de Moura

Colaboradores: João Carreira, Luísa Penha

Cliente: Secretaria de Estado da Cultura

Estrutura: João Maria Sobreira

Eletricidade: José Sousa Guedes

Mecânica: Constantino Matos Campos

Águas/esgotos: Inês Sobreira

Construtor: Soares da Costa, Lda.

De dimensão aparentemente reduzida, este edifício articula os elementos contíguos – jardim, muros e casa oitocentista, torre de apartamentos de construção recente, muros e espaços que a envolvem – tornando intencional o que antes não o era.

O sentimento que esta Arquitetura transmite é de serenidade. No entanto, e por instantes, revela-se quase insólita. Creio que esta segunda “natureza” da Arquitetura de Souto Moura deve muito à complexidade e singularidade da sua materialização: granito do Norte, tijolo de fabrico artesanal do Sul, perfis de aço inoxidável importados, betão descofrado de cores inesperadas, madeira africana intensamente vermelha, equipamentos de iluminação e de condicionamento de ar distribuídos sem preconceitos, estuques com a execução primorosa dos homens do Alto Minho. Ninguém mais vejo querer e poder utilizar, em área tão limitada, uma tão vasta gama de materiais, cores, texturas (…).

Álvaro Siza, Arquiteto, Presidente do Júri, in Prémio Secil de Arquitetura 1992, edição Secil

Qualquer tipo de intervenção naquele lugar não devia interferir com o jardim existente. Mais do que propor, foi necessário omitir; mais do que desenhar, foi necessário raspar; mais do que compor, foi necessário ser simples como rigor de resposta.

No piso de entrada, encontram-se três espaços: um cinema, um auditório e um foyer/sala de exposições. No piso enterrado previu-se uma sala de exposições e os serviços. A finalidade da Casa das Artes foi a de criar um Centro Cultural para a então Secretaria de Estado da Cultura, no Porto.

Eduardo Souto de Moura, Arquitecto in Prémio Secil de Arquitectura 2000, edição Secil

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